Monthly Archives: Dezembro 2006

Apenas um corpo que mata

Dizem que o teu corpo mata. Eu digo que ele é feito de pedaços de momentos que importam.Momentos simples e concisos. Situações. Apenas isso. Tal como apenas um café na mesa. Apenas um cigarro aceso. Apenas uma luz a piscar. Apenas um leito seco de um rio. Apenas um menino a brincar. Apenas um carro que passa. Apenas uma estrada vazia. Apenas um chapéu abandonado. Apenas uma alga no mar. Apenas uma folha caída. Apenas um som que não se sente. Apenas uma voz surda. Apenas uma noite estrelada. Apenas uma nuvem passageira. Apenas uma música sentida. Apenas um corpo… Um corpo de fragmentos. Fragmentos de um corpo. É esta a matéria do corpo: sonhos e memórias. Sonhos que acordam e memórias que doem… É por isso que dizem que o teu corpo mata. Apenas por isso.

Sonhando

Sonhei hoje com o teu corpo. Não passou de um desejo reprimido que a minha mente exige que se torne real.
Imaginei que me querias; imaginei que me presenteavas e que deliravas com tal ambição.
Sonhei que te entregavas com a paixão e o carinho de outros tempos. Não passou do fruto do meu pensamento inesperado.
Imaginei que tu eras fogo calmante com energia proveniente dos beijos que me roubavas.
Sonhei. Imaginei. Não passou disso…

Re-Invenções

De um corpo solto e desmembrado saltam pedaços de vida e de mundos: esfera de potência que se solta de uma engrenagem; motor ausente da sua semi-existência!
É a carne que toma vida e exige controlo do corpo; re-inventa o sentido carnal e adopta uma postura dominante.
São re-invenções imaginárias vindas de uma mente abstracta e fragmentada…

Mulher Trigueira

Corpo impiedosamente marcado pelas dificuldades inerentes à vida; chicotada psicológicas dadas por quem mais amava e prezava. Foi o ciclo natural da vida: desilusões, sonhos e vivências.
Foi este o passado da mulher trigueira: corpo cansado, tez queimada pelo sol das searas e mãos calejadas pelo trabalho de outrora; esforço de sol a sol, alma molhada pelas chuvas típicas de Verão, pelas desfolhadas e colheitas… Conviveu com homens e mulheres honrados, trabalhadores humildes que muitas lições lhe deram.
Lá está… a mulher trigueira, sentada num banco de pedra junto à eira e que vive hoje os sonhos de uma noite de Verão.

No Reino da Fantasia

Era uma vez… um mundo de bolas de sabão coloridas entre as mãos de crianças. A Fada da Fantasia soprou ventos de magia. O sonho do Reino Faz-de-Conta tornou-se realidade. Então, os meninos e as meninas vestiram-se de arco-íris e tornaram-se heróis de todas as histórias.
E brincaram num tempo sem horas.

Traços de Anjo

Directamente ao coração chega o toque distante da inquietude. Ansiedade que brota, mãos que tremem, corpos que suam…

Toques ingénuos, que exploram o desejo, são a evidência clara do amor que surgiu. Tento resistir ao teu corpo, unido ao meu pelos laços do prazer. É inalcançável. Impossível…
Os teus lábios procuram os meus, num encontro de almas gémeas que só tu sabes criar. Consigo fechar os olhos e sentir a tua respiração ofegante, sobre a minha.
Tens traços de anjoum anjo caído… um anjo tentador… Simplesmente, eu e tu num acordo espiritual, em que as nossas almas se fundirão…
As tuas mãos, quentes e dotadas de tal suavidade, percorrem os recantos de um corpo suado e sedento de paixão.
Não consigo aguentar. Não consigo disfarçar o poder que sinto nas minhas mãos: és tu; vulcão de prazer, ondulado por lampejos de ansiedade. O corpo treme ao ritmo do calor ardente que nos rodeia. Consigo sentir-te; és quente, és suave… Estou dentro de ti e abstraio-me de tudo. É este o sentimento de posse, o desejo de querer mais, o toque das nuvens.
Em uníssono damos um último suspiro; um suspiro de prazer; um suspiro de volúpia…
Acabamos por sucumbir ao prazer absoluto… juntos…

Tiago Ramos
13 Dezembro 2006
[00.26]

Confissões

Custa muito reconhecer que estás distante. Tantas foram as vezes que senti que estávamos cada vez mais próximos e agora… acabou.
Acreditas que estava fascinado? A tua maneira de ser, tão diferente da minha, tão oculta, tão misteriosa, tão mística, era totalmente oposta à minha. Afinal dizem que os opostos se atraem e eu concordo.
Não foi da minha cabeça. Todos o diziam, todos o viam. Eu sentia, eu via. Olhavas para mim, chamavas por mim e falavas de mim. Recordo-me das nossas (poucas) conversas. Sempre te ouvi e sempre te tentei perceber. Esforcei-me por te ajudar. (Agora vejo que os meus esforços foram em vão). Por alguns momentos, eu dava-te mundo. Dava-te chão. Dava-te algo concreto para te apoiares. Tu gostavas e confessavas-me os teus desejos, as tuas ambições, possessões e o teu passado. Passado esse que ainda te persegue juntamente com a carência afectiva.
Precisavas do afecto de alguém e eu dava-to. Aproveitavas-te e eu nunca me importei. Sentia-me bem fazê-lo.
As memórias conduzem-me àquele dia. O dia em que os nossos corpos quase se fundiam espiritualmente e em que houve o toque das nossas extremidades. Longo tempo. Abstracção de tudo. Desejo.
Não me apaixonei por ti. Eu sei que não. Antes, fiquei viciado em ti. Magnetismo, é isso! É a única explicação…
Sei que entrávamos em conflito. Era propositado. Era um jogo só nosso. Chegámos a reconhecê-lo… os dois.
Cheguei ao ponto de sentir repulsa e desprezo por ti. (Tanta ambiguidade!). Ao mesmo tempo precisava de ti cada vez mais… Sentia falta da tua voz e das tuas palavras.
De repente, desapareceste. Eu já o sabia. Já tinha pressentido o teu afastamento. Aconteceu; falhaste-me…
Desta vez fui eu: chamei-te longamente. Não me quiseste ouvir. Foste agressiva e seca. Concisa: como que a pôr um ponto final em algo que nunca chegou, sequer, a existir.
As tuas palavras magoaram-me e fizeram-me adoptar uma postura defensiva, como quem diz ingenuamente, “Eu só queria ajudar…”
Desabafei. Solução: erradicar-te do meu pensamento. Parei na agenda, li o teu nome, observei o teu número e faltaram-me as forças. Sentia que me tiravam o mundo, o chão e o apoio. Não consegui, simplesmente.
Recordo-me de ti, inicialmente. Sinto que te fiz mudar. Para melhor. Todavia foi temporário. Ainda te restará aí, algum dos meus conselhos? Sinceramente, não sei.
Desenvolvi uma relação “amor/ódio”. Ou “amor paternal”. Ou simplesmente criei laços. É difícil soltar os nós…
Tenho conseguido resistir: talvez o orgulho facilite! Gostava de conseguir ajudar-te. Gostava que não me arrastasses contigo. Há quem me puxe para fora do teu “buraco negro”, para fora dos teus problemas… felizmente.
Confesso.
Custa muito reconhecer que estás distante.
Agora? Acabou…
Noite, noite, noite.

[Continuação da manhã no Convento e das conversas acerca da “psicologia do nosso eu”]

O Desconhecido


Agora, quando peguei na caneta, ganhei a noção que é mais fácil escrever sobre mim, que falar.
Não consigo descrever-me só com algumas palavras. Palavras simples e concisas? Isso em mim não existe! Sou complicado como todo o humano e tenho dificuldades de síntese. Como tal, são muitas as palavras que argumentam as limitações e potencialidades do meu ser.
Sou alguém introspectivo, que gostaria de se conhecer melhor e que, por vezes, não o consegue. Provavelmente porque, como dizes, ninguém se conhece perfeitamente e por vezes não queremos reconhecer certas fraquezas, embora saibamos que elas existem.
Considero-me solitário. Solitário por opção e sem uma conotação depreciativa; gosto de estar sozinho no silêncio e convivo bem comigo mesmo. Não sinto necessidade de muitas pessoas: tenho um grupo restrito que assume importância na minha vida. Não sempre. Confesso que uma parte será importante apenas em determinados momentos, enquanto outros são tão essenciais, como o ar que respiro.
Fraqueza. Penso que essa, curiosamente, é a minha maior fraqueza. Sinto que, às vezes, falta força para enfrentar os problemas (maioritariamente criados por mim) e os “fantasmas” do passado. Falta de motivação interna. Falta de capacidade para tomar decisões. É por isso que prefiro que me confidenciem os seus problemas. Faz-me sentir útil. Faz-me não pensar só em mim. Faz-me pôr em acção aquilo que eu chamo “a veia de Madre Teresa”: a necessidade impulsiva de ajudar todos os que me rodeiam, como se fosse uma obrigação minha. Sei que sou prejudicado por isso…
Tanta coisa que eu poderia dizer, mas ainda não desenvolvi a competência para conseguir exprimir o que realmente sinto, sem ser em “estilo poético” ou utilizando metáforas.
Sei que achas que este é um exercício que deveríamos fazer frequentemente. Concordo. Mas podias agora, reconhecer as tuas limitações e compreender que o mais importante é viveres harmoniosamente contigo própria, mesmo que para isso tenhas de procurar ajuda. Eu sei! Sei o que vais dizer… Mas pensa nisso.
Talvez agora deixes de dizer, passados tantos anos, que sou um desconhecido…

8 de Dezembro de 2006
Tiago Ramos

Sinestesia

Sinto uma diferença absurda entre o fictício e o real. Uma luz fria aquece-me a metade lunar. A outra metade escurece e perde o colorido natural da vida.
Os passos encaminham-me em direcção a uma parede negra, pontilhada de luz. Uma metade inteira da Lua desfaz-se em pó. Pó de estrelas. Pó. Simplesmente.
Panos coloridos confundem-se com o cheiro a jasmim e erva-doce. Murmúrios distantes equivocados equilibram o doce luar.
É a sinestesia, o canto dos sentidos, o emaranhar de uma teia de sensações. A outra fase da Lua.

Noite & Dia

É noite, noite, noite.
Acordo de um sonho distante e sinto necessidade de pairar no meu baloiço.
Saio de casa. Descalço. O toque inevitável da vegetação nos pés é surpreendente. Suave. Terno. E carinhoso.
Sentado dou o impulso necessário para chegar ao céu. Quase, quase… Balanço as pernas mais uma vez. E outra. Ainda outra. Quase que agarro as estrelas. Sinto que o negro do firmamento me absorve os traços de individualidade. Cansei-me de tentar alcançá-lo e caio com o rosto por terra. Tão áspera. Tão árida.
Permaneço ali. Deitado. O encontro com o baloiço. O encontro com os sentidos.
Adormeço.
É dia, dia, dia.

Mudança de Tom

Notei uma mudança de tom nas suas palavras. Não percebo o motivo. Sinto uma ligeira aspereza no modo de sibilar as frases.
Ainda me lembro do dia em que recebi uma carta. Anónima.
– Um homem que assina Solitário Orgulhoso… – verbalizo.
Dizia que me via todos os dias no autocarro quando ia para o emprego, me seguia de longe com medo de falar, sabia que trabalhava numa empresa de gestão e todos os dias aguardava às seis horas, numa esquina discreta (não fosse ele Solitário Orgulhoso), que eu cruzasse a estrada, acompanhava-me do lado oposto do transporte (atento aos meus gestos e à maneira característica de morder o lábio), descia na paragem seguinte e vinha espiar-me da calçada, enquanto eu pensava o que seria o jantar. Assim que o meu marido chegava e me pregava um beijo no pescoço, ia-se embora roído de ciúmes.
Era casado também, mas não haviam beijos no pescoço. Dizia que não se separava pelos filhos e por pena da esposa. Dois filhos: um deles deficiente, uma doença rara e com tratamentos caríssimos.
– Uma vida sem sentido e nisto eu, a dar-lhe sentido à vida, agarrada ao varão do autocarro vinte e sete – lamentava a minha mente.
Não percebo como uma mulher da minha idade, agarrada a um varão, daria sentido a um Solitário Orgulhoso. Logo eu, que nem sou bonita. Sou baixa, míope e com um cabelo “escorrido”, do qual eu lamento ser possuidora.
O meu marido não é um Solitário Orgulhoso, antes um Solitário Indiferente. Tirando o beijo diário no pescoço, ao fim da tarde, nem uma conversa, quanto mais. Não tenho dois filhos: tenho uma filha com 23 no curso de Comunicação Social. Também não é bonita, coitada. Há momentos em que a noto a espiar-me e a fitar-me com ódio. Se arranjasse namorado penso que o ódio diminuía. Não arranja. Tranca-se no quarto.
– Outra solitária… Uma Solitária Revoltada! – penso.
Nem sei se o meu marido se dá conta. E no meio desta confusão caiu-me no colo o Solitário Orgulhoso e a carta de amor.
Antes gostava de receber cartas: até a propaganda dos supermercados me alegrava. Umas primas do Norte escreviam-me: cansaram-se. O meu marido, em certa ocasião enviou-me um postal, quando foi de serviço a Badajoz. Dizia: “Chego Sábado. João.”
E agora, numa altura em que não esperava, um homem que se exalta com o modo de me agarrar ao varão.
Na minha opinião, Solitário Orgulhoso é um pseudónimo bonito. Desde que a carta chegou, tenho procurado descobrir alguém no autocarro vinte e sete que me observasse. Não encontro. Quando muito adolescentes de mochila às costas, que cochicham entre si. Velhotas. Uma ou outra rapariga cujo cabelo me vence, todas mais altas que eu, todas menos gordas que eu.
Desisti de procurar. Passaram-se doze dias desde que recebi a carta e nem sombra de um Solitário que fosse também Orgulhoso.
Cá vou eu, agarrada ao varão do vinte e sete. Sinto uns olhos a espiarem-me. É aí que me percorre um arrepio.
Minimizo a situação e saio do autocarro, atravessando a estrada e passando por uma esquina discreta, onde um homem acendia o cigarro, riscando um fósforo na parede. Sinto que é ele:
– Numa esquina tão discreta, só pode ser solitário…
– …e orgulhoso também. – retorquiu o homem.
O meu coração apertou-se, mordi o lábio e deixei cair a mala aos pés dele. De um modo brusco, o homem baixou, entregou-me a mala e disse:
– É por isso que a invejo.
Não me atrevo nem a respirar. Ele continua:
– A sua personalidade reflecte-se na sua mala.
Fico estupefacta. Ansiei por doze dias a revelação do homem misterioso que assinava Solitário Orgulhoso e agora nem me tenta abraçar nem demonstra qualquer interesse nisso. Também diz coisas enigmáticas.
Comprei esta mala, há uns cinco dias, no centro comercial. Uma mala preta com uma rosa de gaze vermelha (inventam cada uma!). Pus a mala na gaveta dos lençóis de cetim, com a carta escondida no seu interior. Tive o cuidado de encostar as palavras Solitário Orgulhoso à rosa, a fazerem companhia um ao outro. Hoje abri a gaveta e lá estavam eles abraçados. Resolvi estrear a mala. Logo hoje que o encontrei.
– Invejo a sua despreocupação em não se importar com o que os outros dizem, em não se importar com a chamada de atenção que uma rosa de gaze vermelha pode dar. Se eu me pudesse dar a esse luxo…
Foi aí que notei uma mudança de tom nas suas palavras. Senti uma ligeira aspereza no modo de sibilar as frases.
Foi quando percebi que aquela carta anónima não era de amor, mas sim de confissão e ciúme. Era simplesmente um homem amargurado, um solitário, orgulhoso demais para dizer que me desprezava e invejava simultaneamente. Invejava o facto de eu ter um emprego, uma casa e um cônjuge que me dava beijos no pescoço. Desprezava-me por ter uma filha saudável, enquanto ele tinha um com uma saúde fraca.
Dei-me conta do quão sortuda sou. Um mulher que se pode dar ao luxo de usar uma rosa de gaze vermelha.
Apercebi-me da mudança de tom.
Compreendi que o tom das palavras escritas é diferente do tom das palavras faladas. Especialmente se forem ditas por um Solitário Orgulhoso…

O Motor

O silêncio. O ruído, rugido constante do motor. Tinham-se habituado ao som constante do motor e, por isso, era exactamente como o silêncio. Houve a raiz de uma palavra que quase nasceu dentro dela, que quase nunca existiu. Em vez disso, nasceram momentos invisíveis e silenciosos. Mais correctamente, ressuscitaram movimentos.
Noutras ocasiões, esses gestos chegaram a surgir nas imagens que ela era capaz de ver antes mesmo de acontecerem.
Noutras ocasiões, ela imaginou esses gestos e o resultado desses gestos, mas parou o seu corpo a tempo: nasceram, mas não aconteceram.

"Devagarinho…"

Fui devagarinho pela estrada da vida. Não me apressei, pois sentia-me livre. Continuei, devagar, passando por cruzamentos e desvios de um passado recente. Bem devagar, soltei-me do corpo em que vivo. A saudade espraiou-se nos sonhos e divagações de uma mente inquieta. Foi tudo tão fugaz e tão breve. Tudo o que se agarra, já fugiu. Corri acelerado, de uma forma vagarosa e soube que alcancei a liberdade que um dia perdi. Não tive mais medo. Vagueei pela estrada de modo lateral ao presente. Ouvi uma voz no fundo da linha. O vento falou-me de ti e disse pausadamente: “Devagarinho…”

Dançarina da Lua

Estavas tão confusa, achavas que não merecias mais. Saíste a meio do jogo de mentes, não aguentaste a tensão que se exercia.
A porta ainda está entreaberta, não bateste com ela. Conta-me a razão por que não esperaste; esperava-te alguém? Apenas eu, apenas um louco sentado no pomar das sensações
Nunca tinhas apanhado o comboio sozinha; odiavas andar pela estrada; adoravas nunca ter falhado; esperavas acreditar em mim; dançavas na minha vida uma canção de amor…
Estavas tão confusa, desejavas não sofrer mais.
Nunca mais voltaste àquele destino; sentiste que a linha não acabava ali; conseguiste vencer; acreditaste em quem te amou; deixaste de dançar…
Hoje és simplesmente a dançarina da lua

O Tempo

Tanta vez que corremos contra o tempo. Queremos voltar atrás, fazer tudo de novo, tornarmo-nos perfeitos… Acaba sempre por ser o tempo que corre contra nós.
Engrenagens, rodas, roldanas… É disto que o tempo é feito? O tempo é mecânico! Por que me sujeito ao tempo? O que faria se [o tempo] deixasse de existir? O que seria se investisse melhor no tempo que disponho?
Para quê desperdiça-lo em coisas fúteis, em esforços para agarrar o vento, em perseguir fantasmas do passado? Frivolidades!
Por que não investir todo o tempo para mudar, para amar quem gosta de nós? Por que não considerar o tempo um aliado, em vez de um inimigo?
Por que não deixar as coisas correrem a seu tempo?
A razão é o fruto do tempo, as paixões de todos os momentos.

Desejo

Fazes-me sentir desejado, como há muito não me sentia. Fazes-me desejar-te ardentemente. Desejo de possuir esse teu corpo. Relação puramente carnal, apetite lascivo, ambição voluptuosa, conexão erótica… Provocas-me. Provoco-te. Crias ambiente sensual, corpo libertino, anseio deleitoso… Pergunto-me como é fazê-lo sem amor, sem escrúpulos, sem medos, sem consciência. Morder-te. Arranhar-te. Possuir-te. É esse o meu desejo.

Vício de Ti

Será? Será que não posso viver a vida tranquilo? Será que não posso andar sem me lembrar de ti? Será que não posso dormir sem sentir o teu cheiro? Será que não posso fechar os olhos sem sentir a tua presença? Será que posso fugir sem ver a tua sombra? Será que o passado tem de fazer parte do meu presente? Será ?
Ganhei a consciência de que fui dependente de ti. E sou… ainda.Foste o meu doce vício. És… serás… Por quanto tempo mais? Não foi já suficiente? Queria ser como tu. Encontrar alguém que me seduzisse, que me amasse, que fosse dependente de mim… Como consegues criar essa magia que te rodeia? Faz mais uma, por favor… Acaba com este vício de ti…