Monthly Archives: Janeiro 2007

Creepin’ In


*

Torna-se complicado. É-me difícil entender o teu desprezo e a tua dificuldade em me olhar de frente.
Chego ao café. Olho-te como quem procura uma resposta. Baixas a cabeça. Escondes-me do teu campo de visão. Sento-me. Não dizes nada, mas os gestos são suficientes. Levantas a cabeça como quem condescende a minha presença. Estás nervosa: as mãos tremem. Fumas um cigarro.
Torna-se constrangedor estar aqui, mas preciso de uma justificação para as tuas atitudes.
Os nossos lábios apenas se encontraram uma vez e, sejamos francos, estavam algumas garrafas vazias junto a nós. Entendes? Ninguém esperava mais. Era compreensível. Eu não te pedi nada. Não exigi mais do que aquilo que já existia.
Não. Não consigo perceber.
Queria ser corajoso o suficiente para te colocar as minhas dúvidas.
Sou cobarde e permaneço calado…
* A foto é minha.
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Inversão

Os sentidos invertem-se ao sabor das vicissitudes da vida. O caminho é alterado, as distâncias aumentam, os obstáculos mantêm-se…
Ouvi alguém dizer que, após fazer 18 anos, se sentiu diferente, inseguro. Eu atingi os 19 e sinto o mesmo. Sinto que tu se inverteu, tudo se alterou, tudo aumentou, tudo se manteve. Talvez fosse melhor que os sentimentos estabilizassem, mas há quem diga que esta fase é instável por natureza.Sinto-me mais inseguro, menos confiante, mais vazio e incompleto. Falta-me um pedaço de alma que teima em não surgir, um vazio que não é ocupado de modo algum.Vejo momentos vividos a passarem como cenas de uma filme, enquanto eu assisto a elas, impávido e sereno.Cai uma lágrima no papel e borra a tinta.
De que adianta tudo isto? De que adianta sentir, cheirar, tocar, observar e ouvir, se isso não nos torna mais completos? O vazio é um estado de alma, isso é indiscutível. Surge nos momentos menos esperados e instala-se, avidamente, como quem pretende destruir uma ambição. Eu podia negar tudo e dizer que estou bem. Talvez fosse melhor. Contrariava o meu espírito e lutava. Mas não consigo. Posso chorar, posso gritar, posso tornar-me apático ou até extremamente agitadoMas o vazio, esse, continua…

Citadino

Cosmopolitas. Severas. Complexas. Rotineiras. Agitadas. Apressadas. Laboriosas. Refúgio de amores fugazes. Canto de troca de beijos tímidos. Chegadas. Partidas.

Elas assistem a tudo, passivas, sem sequer elogiarem ou reprovarem. Somente transmitem o seu toque citadino.

(A foto é dele)

Conceito Abstracto

Desaparecimento. Desaparecer. Desaparecido.
Bastava-me. Bastam uns dias, uns longos dias. Poucos, mas longos. Do tamanho do esquecimento. Do tamanho de uma caminhada à beira-mar. Da dimensão de uma chávena de café tomada com ninguém.
Basta ler um livro, que jamais alguém leu. E absorver-me completamente no mundo de outrem.
Esquecer-me. Desaparecer. Esconder-me nas nuvens. No subsolo.
… E aí, lembrar-me quão colorida é a vida…
“A vida até é às cores”. É um conceito. Simplesmente.

(A foto é minha. Os elásticos não.)

Adeus. Um dia voltarei a ser feliz.

Percebo que não sei o suficiente da vida para me sentir em baixo, desanimado. Mas não é esse facto que me impede de não o sentir. Quanto mais tento não pensar, mais penso. Acabei de escrever num post-it: “Não Pensar em Ti” e o simples facto de escrever Ti, fez-me lembrar a tua pessoa. Sou patético, eu sei. Estou a rir de mim próprio. Um riso seco. Um riso de escárnio. Era inevitável.

Agora só quero agarrar na minha nuvem e adormecer. Dormir e acordar o ano que vem. Não falta muito, mas era o suficiente para voltar a sentir alegria de viver (Já a tinha perdido? Muito me contas…). Abrir os olhos e, com um sorriso nos lábios, perceber que tudo não passou de um sonho mau. Era o necessário para me recompor, arrumar as recordações num quarto escuro e fechá-las. Tenho que encerrar este capítulo da minha vida. Tanto escreveram nele, que as páginas desbotaram. Tanto escrevi, que os dedos gastaram-se, consumiram-se num ápice. Vou fechá-lo, trancá-lo. E num gesto de pura ânsia, engolir a chave.
Vou voltar ao passado só mais uma vez e engolir tudo o que disse, engolir as pessoas, engolir os sons, os sabores, as cores… Se agora olhasses para mim, vias um turbilhão de cores nas minhas mãos.

Prestes a adormecer, a consciência evoca Letras e canta-me: “Não voltes a deixar que a Felicidade te escape entre os Dedos…
Olho para eles e canto-lhes. Baixinho: “Adeus. Um dia voltarei a ser feliz.

I’m Listening To://Fácil de Entender. The Gift.

(A foto é dela. Os dedos, os lápis e o desenho são dela.)

A Tua Presença

Hoje preciso de ti. Apenas mais uma vez. Esta noite quero-te do meu lado. Preciso da tua presença junto a mim. Hoje quero-te sentada apenas aqui. Não precisas de falar. Não precisas de me tocar. Espero somente que me deixes admirar-te. Podes não estar de bom humor, podes não me mostrar um sorriso, mas não me importo. Simplesmente, a tua presença vai me deixar feliz. Peço-te que me dês esse prazer. Gosto de sentir a tua presença.

Nevão D’Ouro

Acredita em mim: começou a nevar. Estou com o nariz colado à janela e vejo farrapos brancos a cair.
Oh… mas agora estão a ficar dourados. Parecem bolas de ouro que rolam montanha abaixo. Vou a correr descalço, no chão gelado, rua afora. Estou a ver um vulto em tons de prata!
És tu? Sempre soube que eras um anjo. Por que estás a colorir tudo em tons d’ouro? Lanças brilhantes em direcção à Lua e atinge-la no centro da luz; começa então, a pingar ouro sobre o branco da neve.
Por quê? És um anjo caído!

Por quê?

Por quê? Não consigo responder a isso. A sério, não insistas! Nem eu sei a resposta. Não percebo porque sou assim e porque tudo isto sucedeu. Não entendo a nossa maneira de ser ou forma de ver o mundo. Não compreendo porque a tua imagem insiste em pairar no meu pensamento e porque continuas a fazê-lo.
Por quê? Não sei.
E agora pergunto eu: “Por que não?”

Traços de Anjo

Fico sentado, no sofá, junto a ti. Admiro-te de perto. Os teus traços destacam-se de todos os objectos que te rodeiam. Os teus olhos cintilantes iluminam a noite. Encantas-me. Não me canso de te observar e quando o faço parece que o tempo pára.

Apetece-me tocar essas formas bem definidas e acariciar os teus lábios húmidos.

Ao fim da noite, quase que juro ver duas asas brancas ascenderem das tuas costas. Serás um anjo caído?

Procurei…

Procurei em vão. Levaste contigo tudo o que te dei. Não ousei pedir o que roubaste , com medo que a chama se apagasse. Sustive o fôlego por tempo indeterminado, apenas para aguentar aquilo que, afinal, já não existia. Acabei por sufocar. Agora peço que me devolvas a dedicação que te dei.

(Todos temos um) momento de fraqueza

Todos nós temos momentos de fraqueza. Esta noite é um deles. Sinto-me em baixo. Eu sei que tinha prometido que ia superar o passado, mas hoje sinto-me fraco, muito fraco. A fraqueza baralha-me o pensamento, confunde-me os sentimentos e distorce-me a visão. Infelizmente. Enviei-te uma mensagem há dois dias atrás. Quando a enviei, nunca pensei que me respondesses e a verdade é que não o fizeste. Custa-me. Muito.
Ainda me recordo das palavras que dizias; todas indicavam que fazias planos para o futuro… ao meu lado.
Ainda sinto a tua voz, quase como um murmúrio longínquo, mas ao mesmo tempo tão perto, que dizia: “Quero-te”. É verdade. Mas era mais forte que nós. A canção diz: “Não se ama alguém que não ouve a mesma canção”. Concordo. Éramos diferentes.
Há locais daquela casa que me recordam de ti: o quarto do primeiro beijo e o vão de escada do último. Outros locais nunca serão apagados da memória.
Sinto falta de ti.
Por quê? Apenas porque estou em baixo esta noite. Preciso de falar. Preciso de escrever. Preciso de ti… (Pschhiu! Esquece o que disse). Ainda bem que não respondeste. É melhor. Facilita-me as coisas. Ouvi dizer que estás feliz. E eu compreendo. Todos os momentos têm a sua metade. Eu já fui a tua…

Tive um momento de fraqueza. Todos temos um.