Rolleiflex

– Não sei de que mundo venho

disse ela. E tornou num desfiar de vida, no seu olhar vivo do mundo, na sua intenção de olhar o constante de uma outra forma que não com olhos de ver. Porque os olhos não servem apenas para ver. Para ela os olhos servem para sentir, para observar para além do que o cristalino permite, para penetrar profundamente na verdadeira constituição das coisas. E tornou em olhar pela janela e observar os prédios como quem fotografa. E pega na sua Rolleiflex e fotografa de dia com flash.

– O sujeito é mais importante que a fotografia

disse ela. E para ela assim o era, não lhe importava o exterior. As pessoas deviam andar despidas, porque assim ficamos mais perto de lhes ler o interior. Olhava o mundo como se não lhe pertencesse e conseguia ver beleza onde os outros não viam. Vê beleza na destruição, na miséria e na pobreza. Porque ela sabe que a sua máquina vê o que os outros não querem ver.

– Não sou deste mundo,

disse ela. E não o quer ser, porque este mundo não é dela, mas sim dos outros. E com olhos de alienígena, sim porque ela é estranha a este mundo, a este olhar humano e fraco, sim com olhos de alienígena ela vê o interior. E mesmo o mais negro, é bonito.

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