Category Archives: Carta ao Outono

Marcha

Nunca imaginei que chegasses tão cedo. Acho que me esqueci que esperava por ti e desisti de ir espreitar à janela, a ver se já lá vinhas.
Afinal chegaste sem eu esperar. Não é que não tivesses vindo no dia do costume, mas sinceramente não pensei mais nisso. Ando trocado, os dias não passam da mesma forma e até os ponteiros do relógio andam num compasso diferente. Já tinha tirado o cachecol, já não tomava morfina e agora chegaste.
As coisas mudaram, sabes? Estou feliz agora, sinto-me quente, abraçado. Não sei se ainda quero os teus abraços e os teus sussurros. Desculpa. Nunca te quis iludir, não fiques triste.
A não ser que nos queiras acompanhar para sempre. Vem, podes vir. Caminha connosco em marcha lenta e acompanha-nos pela vida. Talvez possamos ser os três felizes. Pensa nisso. Vou só colocar um cachecol de sentimentos e podemos partir.
Até já, Outono.

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Carta

A dor grita-me. Dizias que me darias outro ânimo, mas não chegas. Fico sentado no chão térreo, de mãos nos joelhos esfolados e espero-te. Sobrevoo o quente de outros corações e todos me parecem sãos. Tento zelar pela saúde deles, enquanto o meu se despedaça. Está bem, eu espero. As folhas não caem, aquela luz do fim de tarde não chega, nem vejo os tons ocres e dourados.

O que é feito de ti? Espero-te de cachecol ao pescoço. Disseste que virias e cá te espero. Quando chegares, beija-me sussurradamente. Espero acordar no meio de folhas caídas.

Boa noite, Novembro.