Category Archives: Elisa

Elisa – Parte Dois

Elisa, não me canso de dizer que me deixas extasiado com a tua irreverência. Quantos namorados tiveste, com quantos desconhecidos foste para a cama? Não me dês números, por favor; é retórica apenas. Não me mates com números, com descrições de larguras e comprimentos. Não, não me faças isso, mesmo que não me ames. Sempre fui o teu confidente, é verdade. Mas se soubesses o quanto me custava, quanto me doía, quanto enfraquecia e definhava por te ouvir falar das tuas conquistas de meia-noite e das tuas esporádicas desilusões, talvez te apercebesses quão importante és para mim.

Por favor Elisa, olha-me com outros olhos, não me vejas como puto mimado, nem como o teu velho amigo, vê-me como homem, observa-me os braços capazes de te dar abraços quentes, os lábios desejosos de te explorar e os olhos sequiosos de te mirar. A sério, não ligues a quem te chama

– Cabra

não, não te preocupes por dizerem

– Vaca.

Esquece, esquece mesmo. Ouve-me simplesmente, atenta no movimento dos lábios e na expressão corporal. Escuta, escuta Elisa:

– Amor, amor.

Ouviste? Sou diferente, tu conheces-me, eu acredito em ti e vejo as tuas qualidades. Sim, tens coração. Coração humano, coração carente. Elisa, Elisa, és mais menina ingénua que mulher fatal.

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Elisa – Parte Um

Sempre abusaste nos decotes, confessa. Às vezes parecia que querias evidenciar algo, mas garanto-te que não era preciso, já saltava tudo a olhos vistos, literalmente. Abusavas também no não comprimento nas saias e gostavas de te maquilhar. Nunca me ligaste muito, acho que nem sequer tinhas reparado que eu existia. Lembro de gritares por os rapazes te apalparem as pernas, quando no fim de contas eras tu que não te davas ao respeito:

– Vaca,

gritavam as miúdas da escola.

– Pobre,

gritava eu, em silêncio. Pobre de espírito, paupérrima em personalidade e contudo fascinavas-me. Magnetizavam-me os teus olhos negros e o modo com os usavas para intimidar e ao mesmo tempo seduzir os homens. Eu era um puto, punhas-me de lado enquanto te divertias com quantos querias. Todos se rendiam à beleza que portavas e à forma ousada como te vestias. Eu não era diferente e todas as noites enquanto dormia, segundo a minha mãe, chamava pelo teu nome, murmurando:

– Elisa, Elisa.